Início > Unix > A História do Unix (resumida)

A História do Unix (resumida)

A pedido do amigo Vinicius, e devido a ausência de conteúdo tecnológico relevante (que já foi forte por aqui), escrevi um pequeno resumo a respeito da história do sistema operacional Unix.

O Unix foi criado a partir do…

MULTICS

Tudo começou na década de 60, com o desenvolvimento de um sistema operacional de grande porte conhecido como MULTICS (Multiplexed Information and Computing Service). O MULTICS foi desenvolvido pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), em parceria com a Bell Labs (braço de pesquisas da AT&T) e com a General Eletric. Em 1969 a Bell Labs abandonou o projeto. E, em 1970, a Honeywell comprou a divisão computacional da General Eletric, absorvendo automaticamente o MULTICS e outros produtos da GE. O MULTICS (originalmente) funcionava nos mainframes GE-645, e com a compra, a série 600 dos mainframes GE também foi atualizada e renomeada para Honeywell 6180 Series. O MULTICS continuou funcionando nesse equipamento.

O MULTICS era um sistema 24/7 que se destinava a servir milhares de terminais burros simultaneamente, e a idéia é que as pessoas comprariam esses terminais para suas residências, e o uso seria tarifado. Assim, teríamos as contas de água, luz, gás, telefone, e a conta de computador (!). Isso não aconteceu, e o MULTICS acabou sendo utilizado mesmo para fins educacionais e processamento pesado de informações. Seus recursos foram reutilizados em vários outros sistemas, até no System/360, da IBM.

O último servidor MULTICS foi desativado no dia 31 de outubro de 2000, e seu código de fonte foi aberto em 2007.

UNICS

No projeto MULTICS, haviam participantes que foram de grande importância para a tecnologia no geral. Ken Thompson saiu do projeto com a retirada da Bell Labs, mas continuou estudando o MULTICS. Mas, como o MULTICS era um sistema de grande porte, também não havia como ele utilizar em seu computador pessoal, um incrível DEC PDP-7. Assim, em 1970, Ken Thompson escreveu um sistema operacional para seu computador. Baseado no MULTICS, mas de bem menor porte. Brian Kernighan deu à criança o nome de UNICS (Uniplexed (!) Information and Computing Service).

O UNICS deveria ter as mesmas funcionalidades e características do antigo MULTICS, enquanto sua utilização seria possível em computadores “pessoais”. Naquela época, a maioria dos programas e sistemas operacionais ainda eram feitos em Assembly, o que dificultava muito a portabilidade dos mesmos. As linguagens de programação em alto nível também não tinham força suficiente para permitir que um software tão complexo (como um SO) fosse escrito; a linguagem Pascal ainda engatinhava, e a linguagem mais utilizado pelos cientistas ainda era o Fortran.

Então, em 1973, o pesquisador Dennis Ritchie (também da Bell Labs) criou uma nova linguagem de programação de alto nível chamada C (uma evolução da já existente B), e reescreveu o UNICS nessa nova linguagem, para demonstrar a eficiência de seu feito. Ele também alterou o nome do sistema operacional UNICS pra Unix, e desde então, a linguagem C e o Unix caminham lado a lado.

Unix

Com uma linguagem de alto nível flexível como C, bastaria que o compilador C fosse portado para novas arquiteturas, o código dos programas ficaria praticamente inalterado, havendo mudanças apenas nas particularidades de cada arquitetura e facilitaria o desenvolvimento de novas aplicações. Isso garantiu que o Unix ganhasse aceitação fora da BELL Labs e fosse utilizado por um número crescente de pessoas. O desenvolvimento original do Unix era OpenSource, e em 1974, a AT&T autorizou seu licenciamento para várias universidades.

Mas, partindo de 1977, o Unix passou a ser desenvolvido de outra maneira. A AT&T demonstrou interesse e investiu pesado no sistema, fazendo grandes alterações para uso próprio e finalidade comercial, lançando grandes releases do Unix como o “System III” (1978) e o “System V” (1983). Estes já possuíam um modelo fechado de desenvolvimento, e muitos fabricantes de computadores e equipamentos eletrônicos (IBM, DEC, NEC, SGI, Microsoft, HP…) compraram seu licenciamento, desenvolvendo seus próprios sistemas operacionais a partir de modificações e inclusões de recursos no Unix original.

Porém, a universidade de Berkeley (Califórnia) já havia feito alterações para uso próprio e acadêmico, lançando o Unix “BSD” (Berkeley Software Distribution), OpenSource e com intuitos apenas educacionais.  A AT&T processou a universidade de Berkeley, e o veredito a favor da universidade só veio na década de 90. Nesse meio tempo, partes do BSD foram reescritas do zero para não conter códigos patenteados da AT&T, mas permitiu que as versões baseadas no System V se consolidassem no mercado corporativo e o BSD permanecesse no meio acadêmico.

Atualmente, nenhum sistema baseado em Unix é feito completamente na linhagem BSD ou System V, como o próprio Linux. As versões de Unix atuais têm um pouco de cada um, mas com grande predominância em alguma dessas duas famílias.

Duas das grandes versões do Unix BSD foram o 4.3BSD (primeiro Unix com pilha TCP/IP, NFS) e o 386/BSD, destinado a computadores dessa arquitetura. Atualmente, existem grandes sistemas operacionais baseados na linhagem BSD, como o FreeBSD, NetBSD, OpenBSD e DragonFlyBSD.

Os sistemas baseados em System V que ainda estão em desenvolvimento são, conforme dito, comerciais. Algumas versões são o IBM AIX, o HP-Ux e o Solaris (que foi criado, originalmente, baseado em BSD). Em outros tempos existiram também o Xenix, Unixware, Caldera OpenServer, Tru64, Irix, e outros ótimos sistemas operacionais que já não são mais desenvolvidos.

Arquiteturas suportadas

As várias versões de Unix foram desenvolvidas para as mais variadas arquiteturas. Na década de 60 e 70, ainda em seu estado original, o Unix era disponibilizado e desenvolvido principalmente para os computadores da DEC, como o PDP-7 e PDP-11. Assim, a migração para a plataforma VAX, também da DEC, foi algo “natural”.

Com a aquisição das versões posteriores do Unix (Unix7, System III, System V) pelas empresas já mencionadas, as versões comerciais do Unix foram portadas para várias arquiteturas de hardware, como a Alpha (DEC), Sparc (Sun), POWER/PowerPC (IBM), MIPS (SGI), Motorola 68K, i386 (Intel), HP9000, Itanium, ARM, SH4, S/390, etc.

Os sistemas baseados em BSD, cuja maioria é OpenSource, também tem porte para quase todas as arquiteturas de processadores existentes, tanto atuais quanto já descontinuadas.

O Unix em ação

Atualmente, o Unix ainda é utilizado numa grande quantidade de equipamentos, como por exemplo:

– Roteadores, switches, e vários outros ativos de rede
– Video Games
– Computadores domésticos
– Supercomputadores
– Workstations de alto desempenho
– Equipamentos hospitalares (Raio-X, ressonância magnética)
– E etc…

Conclusão

É verdade que, na tecnologia do século 21, a presença do Unix é ofuscada por muitos fatores (Computação em núvem, computação pessoal, Windows x Linux, etc). Apesar disso, ele ainda vive. E muito bem, obrigado. Afinal, sempre existirão aplicações críticas, de alto desempenho, dispositivos embarcados e outros áreas que exijam sistemas operacionais confiáveis, estáveis e fáceis de manter. Enquanto existirem, o Unix continuará vivo. E eu, me divertindo muito com ele.

Stay safe,
Lucas Timm

Categorias:Unix Tags:
  1. Eduardo Quintiliano
    10 de janeiro de 2010 às 12:22 pm

    Por isso que eu amo meu amigo…enciclopédia ambulante!!! xD

  2. Diogo
    23 de abril de 2014 às 2:11 pm

    para contribuirem para um mundo melhor simplesmente apaguem este site

  1. 10 de janeiro de 2010 às 11:39 pm
  2. 14 de fevereiro de 2010 às 10:12 am

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: