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Cloud computing por Lucas Timm

O MeioBit publicou um artigo bem interessante com a proposta de um novo equipamento da CherryPal. Trata-se de um terminalzinho “quase-burro” (ele oferece processamento) criado especialmente para o conceito de “Computação na Nuvem”, modelo onde as informações do usuário não ficam no seu desktop – mas sim nos servidores (no caso, da CherryPal) acessados via web. A idéia principal do Google.

Minha opinião sobre o assunto não caberia em apenas um comentário, então enumerei em tópicos e publiquei o que eu penso do exposto:

1) Acesso: Apesar de todo o hype ser a computação na nuvem, uma coisa é um conceito, outra a usuabilidade prática. Principalmente aqui na república das bananas, onde o acesso a internet é tão demasiadamente caro. Vejam o preço de uma conexão “comum” na Europa (8Mbps tá bom pra você?) e o mesmo preço no Brasil. Imagina que delícia usar o CherryPal para baixar/uppar aquela sua monografia de 30MB numa conexãozinha 256K?🙂

2) A Segurança: Como administrador de sistemas, é imensa a quantidade de dados que passam nos servidores que tomo conta (maior ainda nos servidores que são responsabilidade da equipe, e que são indiretamente ligados a mim). Tenho senhas de toda espécie de bancos de dados, usuário Domain Admin, senha de root aqui e acolá e… batata! Eu tenho acesso a todas as informações dos servidores da qual minha equipe é designada.

Óbvio, não posso aproveitar isso para meu benefício, quebraria regulamentos internos e eu seria no mínimo demitido. Mas, que eu tenho, eu tenho sim! E num provedor de serviços desses, da CherryPal (que eu nunca ouvi falar) resolvendo entregar minhas informações confidenciais para seus “parceiros”? Me sentiria bem a vontade com tudo isso…😛

3) Aspectos tecnológicos gerais: Se algum dia eu ter uma empresa e, esta empresa utilizar um conceito de rede com topologia estrela (através de acesso cliente/servidor), que nuvem o quê! Eu compro um mainframe… Alto investimento inicial, mas baixíssimo a longo prazo (falando de 10 anos no mínimo!). Por exemplo, tenho uma storage de 4TB em Raid 5 (~2.5TB utilizáveis) lotada. De quanto em quanto tempo eu precisaria aumentar os HDs? Sem falar no preço do HD SCSI/SAS, switch óptico, cabeamento, backup e energia utilizada pra isso tudo? Usuário não tem que achar bom, tem que usar, ainda que seja um mainframe e saia muito mais barato.

E uma companhia alugando um serviço online? Novamente voltamos ao aspecto da segurança, vale a pena MEEESMO confiar todos os documentos sigilosos da sua empresa (relatórios, despesas, movimentação financeira e até mesmo banco de dados) num servidor em algum lugar do planeta?

4) Tecnológico: Porque Windows Vista e seus fru-frus, Core 2 Duo, Linux com Compiz se todo software estará numa nuvem acessada online e seu computador não passa de um terminal burro?

5) DRMs e afins: Tenho um computador com dois HDs. Neles eu tenho o que eu quiser, inclusive vários CDs meus ripados com MP3 para uso próprio. Agora, colocar esses arquivos num servidor no exterior (exceção em países tipo a Suécia, onde não existem leis contra pirataria, se é que isso é pirataria :P) é pedir pra ter dor de cabeça. Eles podem apagar isso sem nenhuma cerimônia* e ainda te arranjar dor de cabeça por causa das gravadoras, ainda que seja material seu, você não esteja promovendo execução pública nem distribuindo com ninguém.

Por essas e outras, eu tenho minhas dúvidas se a computação na nuvem é mesmo uma boa idéia. Aliás, dúvida não. Certeza!

Stay safe,
Lucas Timm.

*# rm $(locate .mp3) ; echo “hahaha!”

Categorias:Diversos
  1. 23 de julho de 2008 às 10:51 am

    Pensando pelo lado que você falou realmente todo conceito de computação na nuvem, é meio uma furada. Imagina deixar seus documentos importantes numa “nuvem” podendo ser compartilhada em algum momento com algum “parceiro” do seu serviço. Não.

    E a questão dos mp3 me assusta mais ainda, como regular algo que não esta hospedado em um local fisico, com leis de copyright, e principalmente se é algo comprado por você sem o intuito de compartilhar (me engana) com ninguem. Qual a graça de ter algo que você não pode compartilhar? (faça valer a excessão de pessoas. Apesar que algumas não se importam)

    Eu perfiro ficar quietinho vendo o que tudo isso vai dar.

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